Monumento ao índio (Arariboia) A história desse monumento é bastante folclórica.

Monumento ao índio (Arariboia) A história desse monumento é bastante folclórica.

Quem foi Arariboia?

Em 1555, com o apoio dos índios tamoios (tupinambás), os franceses tomaram a Guanabara, no Rio de Janeiro, e fundaram a França Antártica. Os temiminós foram então desalojados e se refugiaram no sul da capitania do Espírito Santo, onde se converteram ao catolicismo. Em terras capixabas, Arariboia (“cobra feroz”, em tupi) ajudou a expulsar os invasores franceses.

Em 1560, franceses e tamoios foram atacados por uma coalizão formada por 200 hábeis flecheiros temiminós, liderados por Arariboia, e pelos portugueses, liderados por Estácio de Sá e Mem de Sá. O Forte Coligny foi destruído, mas os franceses não foram definitivamente expulsos da região. A campanha contra os tamoios, por sua vez, prosseguiu em Cabo Frio e outras regiões. Em Iperoig os nativos descobriram que o acordo de paz combinado com os portugueses não seria respeitado: muitos dos tamoios da região acabaram escravizados pelos colonos da área. Parte dos sobreviventes desse povo escapou para a serra do Mar.

Em 1567, a guerra contra os franceses chegou ao fim. Em recompensa pelos seus serviços, os temiminós receberam o lado direito da entrada da Baía de Guanabara. Arariboia, rebatizado como Martim Afonso de Sousa, tornou-se o capitão-mor da aldeia, um título concedido pelo próprio rei de Portugal. A área que ele passou a administrar era a vila de São Lourenço dos Índios, que se tornaria, em 1835, a cidade de Niterói.

O “desfecho” da história de Arariboia com os portugueses é bastante emblemática da difícil relação entre esses dois povos. Em 1575, Antônio Salema tomou posse como governador das províncias do sul da colônia. Ao conceder uma audiência a Arariboia, repreendeu o chefe temiminó, que cruzara as pernas à sua frente. Arariboia respondeu:

“Se você soubesse como estão cansadas essas pernas das guerras em que servi ao seu rei, não reclamaria por tão pouco. Mas como me considera desrespeitoso, vou voltar à minha aldeia, onde não damos importância a essas ninharias e nunca mais vou voltar à sua corte.”

Endereço:
Forte São João, Avenida Marechal Mascarenhas de Moraes / Área interna do Clube de Regatas Saldanha da Gama

Autor:
Carlo Crepaz

Obra:
Estátua de bronze

Dimensões:
H: 160 L: 240 C: 57

Data de inauguração:
Primeira metade da década de 1950

Inscrições:
Placa inaugural desaparecida / Placa de reinauguração: ÍNDIO ARARIBÓIA Inaugurado no Governo de Jones Santos Neves: 1951/55 / Autor: Carlo Crepaz / Restaurado por Jânio Leonardelli – julho 2014 / Prefeito de Vitória – Luciano Rezende / Secretária Municipal de Cultura – Ana Laura Nahas

O monumento é constituído de uma estátua de bronze, com a figura de um índio guerreiro, em tamanho natural sobre uma pedra, apontando seu arco e flecha para a baía de Vitória.

Histórico:

A história desse monumento é bastante folclórica. Inicialmente este índio – um forte guerreiro tupi, trajado com apenas uma tanga – apontava a sua flecha para a entrada da baía de Vitória, entre o Morro do Penedo e o Morro do Forte de São João. Com a inauguração da avenida Marechal Mascarenhas de Morais (Beira-Mar), durante o governo de Carlos Lindenberg, a estátua foi retirada e guardada no depósito de Prefeitura de Vitória. Até então, a estátua simbolizava apenas o índio, primeiro ocupante de nossas terras. Contudo, pela vontade popular, posteriormente ele foi batizado como o nome do guerreiro capixaba Arariboia.

No carnaval de 1963, uma marchinha de Júlio Alvarenga (“Bota o índio no lugar”), premiada em um concurso carnavalesco na antiga Tv Vitória, canal 4, nos tempos da Rede Tupi, foi cantada à exaustão pelos foliões nas ruas e nos clubes da capital, descontentes com a retirada do monumento do índio da avenida Beira-Mar. Eis a letra da marchinha:

Bota o índio no lugar / ele quer tomar banho de mar / Bota o índio no lugar / ele é da avenida Beira-Mar / Era Arariboia / ele quer voltar pra lá / Doutor, por favor / Bota o índio no lugar

Com a pressão popular, a estátua retornou ao seu local original ainda em 1963, através do processo nº 904/63. No final da década de 1970, sob a administração do prefeito Crisógono Teixeira da Cruz, o índio foi retirado deste local e teria sido levado para o aterro da COMDUSA, na Enseada do Suá, no final da avenida Nossa Senhora dos Navegantes, onde passou longa temporada. Com pressões de populares e intelectuais, voltou para a Avenida Beira-Mar. Infelizmente, porém, ali a estátua teve o arco e a flecha furtados, e foi alvo de pichações no pedestal de granito. Restaurada em 2012, voltou a ser vandalizada.

Em 2014, na administração Luciano Rezende, após uma restauração conduzida por Jânio Leonardelli, a estátua foi transferida definitivamente para o Clube Saldanha da Gama. Esperava-se que ali, um ambiente protegido por uma cerca, a estátua ficasse livre dos ladrões e vândalos. Porém, no início de 2021, a estátua voltou a ter o arco furtado. Apesar de vários chamados abertos via 156 online, e da conclusão da primeira etapa da Casa do Turismo Capixaba, até hoje o monumento mais famoso de um índio do nosso estado permanece mutilada.

Bibliografia consultada:

CAMPOS, C. L. & FIGUEIREDO, C. História e Cultura dos Povos Indígenas no Brasil. São Paulo: Barsa Planeta, 2009.

FARIA, Willis de. Catálogo dos monumentos históricos e culturais da capital: histórico com fotos e biografias dos monumentos. Vitória, ES: Lei Rubem Braga, 1992.

 

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