Feira quilombola reúne gastronomia, artesanato e atividades culturais na Praça Costa Pereira

Feira quilombola reúne gastronomia, artesanato e atividades culturais na Praça Costa Pereira

A Praça Costa Pereira, no Centro de Vitória, recebe nos dias 3 e 4 de julho a III Feira e Exposição das Mulheres Quilombolas, evento que reunirá 120 expositoras de 36 comunidades quilombolas do Espírito Santo.

A iniciativa é organizada pelo Julho das Pretas e pelo Coletivo de Mulheres Quilombolas Raízes do Sapê – Espírito Santo – Brasil, formado por mulheres de diferentes comunidades que atuam na valorização dos territórios quilombolas e no fortalecimento de políticas públicas para essas populações.

De acordo com a liderança quilombola Josiléia dos Santos do Nascimento, da comunidade São Cristóvão, em São Mateus, a feira tem como objetivo valorizar o protagonismo das matriarcas quilombolas, fortalecer os territórios tradicionais e dar visibilidade aos saberes, à cultura e aos produtos desenvolvidos pelas mulheres quilombolas.

Durante os dois dias de programação, o público poderá adquirir produtos da gastronomia tradicional, como óleo de dendê, farinha de tapioca e beiju — alimento produzido desde o século XIX pelas comunidades do Sapê do Norte, em São Mateus e Conceição da Barra — além de produtos agrícolas, como aipim e abacaxi, e artesanato, incluindo bolsas, bijuterias, objetos de decoração e peças confeccionadas com fibra de bananeira.

Na quinta-feira (3), a feira funcionará das 9h às 20h. A abertura oficial está marcada para as 13h, com a participação de autoridades, parceiros e representantes das comunidades quilombolas. Às 18h, a programação contará com uma intervenção cultural de tambores, seguida da exibição do documentário “Cartografia do Rio Angelim: memórias e direitos quilombolas”, que retrata a história, a ancestralidade e as lutas das comunidades de Conceição da Barra em defesa do Rio Angelim diante dos impactos do latifúndio, da monocultura da cana-de-açúcar e do eucalipto, além da poluição do rio.

Após a sessão, haverá debate com a professora quilombola Olindina Cirilo Nascimento Serafim, Beatriz Lindemberg, do Instituto Marlim Azul, e Vitor Taveira, do Cineclube El Caracol.

A programação continua na sexta-feira (4), com início às 9h, em uma mística coletiva. Em seguida, será realizada a vivência “A cura vem da natureza: saúde popular e cuidado com a vida”, conduzida por Gessi Cassiano, liderança do Quilombo do Linharinho e referência da luta quilombola no Sapê do Norte, e pela agricultora Sanuza Motta.

Ao meio-dia, acontece a atividade “Educação popular: nosso jeito de educar”, com Olindina Serafim e professores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Encerrando o evento, às 15h, será promovida a vivência “Racismo ambiental: como combatê-lo?”, com a subsecretária estadual Juliane de Araújo Barroso e Flávia Santos, liderança da comunidade quilombola Angelim II e uma das organizadoras da feira.

Defesa dos territórios quilombolas

Além de valorizar a cultura e a produção das comunidades tradicionais, a III Feira e Exposição das Mulheres Quilombolas também reforça a luta pela defesa dos territórios quilombolas. Segundo a liderança Josiléia dos Santos do Nascimento, as mulheres quilombolas resistem em seus territórios em defesa do bem viver, da educação, da saúde, da segurança alimentar, da preservação dos saberes ancestrais e da economia criativa e solidária.

A escolha da Praça Costa Pereira como palco do evento também tem caráter simbólico, por ser um dos primeiros pontos de chegada de pessoas escravizadas ao Espírito Santo e um espaço de mobilização por políticas públicas, incluindo a garantia da posse de terras para as comunidades quilombolas.

Dados do IBGE apontam que 26 dos 78 municípios capixabas possuem população quilombola, somando cerca de 15,6 mil pessoas. O maior contingente está em São Mateus, com 6,2 mil quilombolas, enquanto Santa Teresa registra apenas um morador quilombola.

Para o presidente da Amacentro, Walace Bonicenha, o Centro de Vitória é um espaço histórico de encontro entre culturas, e a presença das mulheres quilombolas fortalece a identidade capixaba, aproxima cidade e campo, valoriza a produção de alimentos, preserva tradições e impulsiona o desenvolvimento econômico e cultural do Estado.

A feira conta com apoio da Defensoria Pública do Espírito Santo (DPES), Prefeitura de Vitória, Amacentro, Comissão Quilombola do Sapê do Norte, Fase, Associação Cultura Capixaba (Cuca), Aderes, Secretaria Estadual das Mulheres e Incra.

Serviço

Primeiro dia:

III Feira e Exposição das Mulheres Quilombolas do Espírito Santo Feira e exposição

Data: 03 de julho

Horário: das 9h às 20h

Programação: exposição da culinária, agricultura familiar, artesanato e artes; intervenção cultural com tambores e sessão de cineclube.

Segundo dia:

Data: 04 de julho

Horário: das 9h às 18h

Programação: exposição da culinária, agricultura familiar, artesanato e artes; vivências e atrações culturais