Bloco Amigos da Onça completa uma década como símbolo de diversidade, memória e irreverência no Centro de Vitória
O Carnaval de rua do Centro de Vitória ganhou, na última década, um protagonista que extrapola o conceito de bloco e se afirma como manifestação cultural, política e comunitária. O Bloco Amigos da Onça chega a 2026 completando dez anos de existência consolidado como um dos coletivos carnavalescos mais originais do Espírito Santo, reunindo irreverência, diversidade e valorização da história local em um mesmo cortejo.
Criado por volta de 2016 e 2017, o bloco nasceu da inquietação de moradores e foliões diante do esvaziamento da Terça-Feira de Carnaval no Centro da capital. A proposta era simples e potente: ocupar as ruas, resgatar o sentimento de pertencimento e devolver protagonismo a uma região marcada pela memória urbana e pela vida cultural de Vitória. Desde o início, a concentração na Rua Barão de Monjardim e o percurso pelo coração do Centro simbolizam esse compromisso com o território.
O nome do bloco faz referência direta à Gruta da Onça, parque histórico localizado na região central da cidade. A partir desse marco, o coletivo construiu uma narrativa própria, marcada por uma releitura crítica, debochada e tropicalista da história colonial que envolve a perseguição da onça que batiza o local. O enredo transforma o passado em sátira, desloca o olhar tradicional e devolve a história ao povo, sob uma perspectiva comunitária, queer e decolonial.
Ao longo dos anos, o Amigos da Onça se destacou por defender abertamente a diversidade sexual e de gênero, celebrando a liberdade dos corpos e promovendo um Carnaval inclusivo, onde todas as expressões são bem-vindas. Essa identidade se reflete tanto na estética quanto na ocupação do espaço público, reforçando também um discurso preservacionista e de respeito ao meio ambiente.
Musicalmente, o bloco rompe fronteiras. A marchinha autoral, composta coletivamente, é apenas o ponto de partida para um repertório que transita por samba, pop, groove, salsa, rock, reggae, funk, maracatu e pagode baiano. Essa mistura de ritmos acompanha o cortejo pelas ruas do Centro, com passagem por vias emblemáticas como a Avenida Jerônimo Monteiro e encerramento em shows na Praça Costa Pereira, tradicional palco de encontros e manifestações culturais da cidade.
Nos últimos anos, o Amigos da Onça aprofundou sua proposta artística. Em 2025, o tema “A Onça Pós-Apocalíptica” trouxe uma narrativa distópica sobre o fim do mundo, mantendo o humor ácido e a crítica social mesmo diante de adversidades como chuvas intensas e problemas técnicos ao longo do percurso. A resposta do público confirmou a força do bloco: a festa resistiu, reafirmando seu caráter coletivo e resiliente.
Já em 2026, ano em que celebra uma década de trajetória, o bloco lançou a marchinha “Dez Anos de Prazer”, um funk carnavalesco que sintetiza sua história marcada por ousadia, alegria e contestação. A canção funciona como manifesto festivo, exaltando o caminho percorrido e o vínculo construído com o Centro de Vitória.
Reconhecido como uma das agremiações comunitárias mais originais do Espírito Santo, o Bloco Amigos da Onça encerra as festividades carnavalescas da capital não apenas com música e dança, mas com significado. Ao longo de dez anos, a onça deixou de ser lenda urbana para se tornar símbolo vivo de um Carnaval que celebra a cidade, questiona narrativas e transforma memória em festa.

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