Brasileiros, prestem atenção: quando um candidato é impedido de falar, o problema deixa de ser dele e passa a ser de todos
O caso Renan Santos ultrapassa partidos e ideologias. A pergunta que o país precisa fazer é simples: até onde uma decisão judicial pode interferir no direito do eleitor de ouvir quem disputa a Presidência?
Pare por alguns segundos e esqueça o nome Renan Santos.
Esqueça se você é de direita, esquerda ou centro. Esqueça em quem pretende votar.
Agora imagine apenas a situação: um candidato à Presidência sofre uma decisão judicial que restringe sua participação em debates, entrevistas, sabatinas e podcasts, além de atingir sua comunicação eleitoral.
Isso deveria preocupar qualquer brasileiro.
Hoje você pode não gostar de quem está sendo atingido. Amanhã poderá ser justamente o candidato em quem você acredita.
Não é preciso defender Renan para defender o direito de ouvi-lo
Esse é o ponto que o Brasil não pode perder no meio da disputa política.
O eleitor não precisa concordar com Renan Santos.
Pode rejeitar suas propostas. Pode criticá-lo. Pode votar contra ele.
Mas, enquanto uma candidatura permanecer juridicamente na disputa, impedir seu candidato de participar de espaços fundamentais do debate público produz uma situação difícil de aceitar como normal.
Se o candidato pode receber o seu voto, por que você não poderia ouvi-lo antes de decidir esse voto?
Debate se vence com debate
Se Renan estiver errado, que seja confrontado.
Se suas propostas forem ruins, que sejam desmontadas diante das câmeras.
Se houver contradições, que jornalistas, adversários e eleitores as exponham.
É exatamente para isso que existem entrevistas, sabatinas, podcasts e debates eleitorais.
Retirar alguém desses espaços não elimina suas ideias.
Elimina a oportunidade de confrontá-las publicamente.
Numa democracia, ideia ruim se derrota com argumento e voto — não com silêncio.
O precedente deveria preocupar esquerda e direita
Existe ainda um erro perigoso: analisar decisões dessa natureza apenas pela identidade de quem foi atingido.
Se alguém comemora porque hoje aconteceu com um adversário político, precisa considerar que o precedente institucional não possui ideologia.
Governos mudam.
Ministros mudam.
Candidatos mudam.
O poder criado permanece.
Democracia não pode funcionar apenas quando as decisões atingem aqueles de quem não gostamos.
A Justiça tem poder — e justamente por isso precisa de limites
A Justiça Eleitoral precisa fiscalizar candidatos, investigar irregularidades e garantir o cumprimento das regras.
Isso não está em discussão.
Mas quanto maior o poder de uma instituição sobre uma eleição, maior deve ser o cuidado ao utilizá-lo.
Uma medida capaz de reduzir drasticamente a presença pública de um presidenciável interfere inevitavelmente na dinâmica da disputa.
E quando isso acontece por decisão individual, o debate sobre proporcionalidade, liberdade política e segurança jurídica deixa de ser opcional.
Torna-se necessário.
Brasileiro, não olhe apenas para Renan
Talvez você nunca tenha votado nele.
Talvez jamais vote.
Isso é secundário.
Olhe para o princípio.
Porque uma democracia não é testada quando protege aquilo de que todos gostam.
Ela é testada justamente quando precisa preservar o direito de alguém que muitos rejeitam.
O direito que você aceita retirar do seu adversário hoje pode ser exatamente o direito que terá de defender para você amanhã.
O Brasil precisa discutir o caso Renan Santos com seriedade.
Não porque Renan seja maior que as instituições.
Não é.
Mas porque nenhuma instituição deveria ser maior que os princípios democráticos que justificam sua própria existência.
E existe uma pergunta que cada brasileiro deveria fazer diante deste episódio:
Se somos nós que escolhemos o presidente da República, não deveríamos ser também nós a decidir quem queremos ouvir, confrontar e, finalmente, rejeitar ou escolher nas urnas?
Hoje o nome é Renan Santos.
Amanhã, o nome poderá ser outro.
E é por isso que o assunto diz respeito a todos nós.

Jornalista, publicitário e estrategista de marketing político. Diretor do Consórcio de Notícias do Brasil, apresentador do CNBCAST e autor do livro “Manual do Candidato Vencedor”, referência em narrativas e estratégias eleitorais.



