Burocracia da União impede turismo e freia valorização imobiliária da orla capixaba

Burocracia da União impede turismo e freia valorização imobiliária da orla capixaba

O ex-prefeito de Vitória e ex-deputado federal, Luiz Paulo Vellozo Lucas, fez um duro desabafo sobre os obstáculos que, segundo ele, impedem o desenvolvimento do turismo náutico na capital capixaba. Durante participação no podcast CNBCAST, apresentado por Arnóbio Manso Paganotto (Nobinho) e Giulliano Cavati, o político afirmou que a burocracia da União tem bloqueado investimentos e inviabilizado o uso de estruturas que poderiam impulsionar a economia local.

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Segundo Luiz Paulo, os píeres do Senac e do Iate Clube de Vitória estão impedidos de operar há mais de 15 anos por determinação do Serviço do Patrimônio da União (SPU), que exige o pagamento de valores considerados abusivos pelo uso da lâmina d’água — área pertencente formalmente ao governo federal.

“É um absurdo! Eles querem cobrar mais de R$ 30 mil por mês. Já existem multas milionárias. E tudo isso em estruturas que foram feitas para fortalecer o turismo da cidade. Isso me deixa pto da vida”*, desabafou.

O ex-prefeito citou que a capital já teve passeios de escuna, aulas educativas no manguezal, restaurantes flutuantes e uma experiência turística valorizada por visitantes. Um dos exemplos lembrados foi o restaurante flutuante “De Marino”, que atraía turistas e moradores e foi desativado após pressões federais.

“Todo turista que vinha aqui eu levava lá. A gente tinha escunas, passeios guiados, aula de biologia. Isso acabou. Vitória perdeu uma vocação natural porque a União quer mandar em tudo”, disse.

Luiz Paulo criticou também a falta de autonomia dos municípios sobre suas áreas de orla, defendendo que a gestão da lâmina d’água deveria ser municipal ou estadual. Ele citou um projeto de Flávio Bolsonaro que buscava municipalizar essas áreas, mas que não avançou pela forma “mal construída politicamente”.

Além das críticas ao governo federal, o ex-prefeito afirmou que, em períodos de governos mais arrecadatórios, como os do PT, os entraves aumentam. Ainda assim, afirmou que o problema é mais estrutural do que ideológico.

“Isso não é esquerda ou direita. É centralização de poder da União. Tem que acabar. Vitória não pode ter a mesma regra que o Amapá. A gente mora aqui, a gente cuida”, completou.

Ao final, Luiz Paulo declarou que a retomada do turismo náutico deveria ser uma prioridade estratégica para Vitória e que qualquer governante que assumir esse compromisso, independentemente do partido, terá seu apoio.