Carrinhos furtados viram ferramenta para crimes no Centro de Vitória e expõem falhas de fiscalização
Equipamentos caros de supermercado estão sendo usados para transporte de objetos furtados; Prefeitura recolhe e devolve, mas comércio precisa reforçar controle
Carrinhos de supermercado furtados seguem aparecendo nas ruas do Centro de Vitória, especialmente no entorno do Parque Moscoso. O problema já ultrapassou a esfera da desordem urbana e virou questão de segurança pública: os equipamentos, que custam caro ao comércio, vêm sendo usados para transportar volumes de objetos subtraídos durante a madrugada, facilitando furtos e arrombamentos na região.

O alerta foi feito por Martini, diretor da Regional 1, responsável pela manutenção do Centro. Segundo ele, equipes têm recuperado carrinhos em posse de moradores em situação de rua e feito a devolução ao supermercado BH, próximo ao Parque Moscoso. Em alguns casos, há sinais de tentativa de descaracterização dos carrinhos, como raspagem de identificação, o que dificulta o rastreio.

“A Prefeitura recolhe e devolve, mas isso vira enxugar gelo se a prevenção não acontecer na origem. Carrinho não pode sair da área do mercado com facilidade”, pontua Martini.
Responsabilidade não é só do poder público
É papel da Prefeitura recolher, fiscalizar e devolver os carrinhos encontrados nas vias. Mas não é tudo da Prefeitura. O comércio também precisa fechar as brechas que permitem a saída dos equipamentos do perímetro da loja. Carrinho é ativo do supermercado, não da cidade.
Sem medidas preventivas do próprio supermercado, o ciclo se repete: some do pátio hoje, aparece na rua à noite, é recolhido amanhã — e some de novo.
Prejuízo, insegurança e normalização do errado
Além do prejuízo financeiro para o supermercado, a circulação desses carrinhos facilita o transporte de volumes oriundos de crimes, impactando a sensação de segurança no Centro. Quando isso vira rotina, o recado é perigoso: o errado fica confortável.
O que precisa mudar agora (Prefeitura + comércio)
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Supermercado BH:
- controle de saída dos carrinhos (travas por perímetro/rodas com bloqueio);
- vigilância no entorno e no fechamento da loja;
- identificação inviolável e rastreável dos equipamentos;
- parceria formal para recolhimento rápido.
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Prefeitura/Fiscalização:
- rota periódica de recolhimento em pontos críticos;
- canal de denúncia para carrinhos abandonados;
- ações noturnas em áreas de recorrência;
- articulação com forças de segurança para coibir receptação e uso em crimes.
Conclusão
Carrinho furtado na rua não é paisagem urbana. É falha de controle compartilhada. Enquanto o comércio não fechar a porta de saída e o poder público não apertar a fiscalização nos pontos críticos, o Centro vai seguir convivendo com um problema que tem solução — só falta decisão.
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Jornalista, publicitário e estrategista de marketing político. Diretor do Consórcio de Notícias do Brasil, apresentador do CNBCAST e autor do livro “Manual do Candidato Vencedor”, referência em narrativas e estratégias eleitorais.




