Concha Acústica do Parque Moscoso faz de Vitória referência nacional em patrimônio cultural ao ar livre

Concha Acústica do Parque Moscoso faz de Vitória referência nacional em patrimônio cultural ao ar livre
Cartão Postal ColonVist com Anfiteatro da Concha Acústica do Parque Moscoso. Década de 1960

Inaugurado em 1912, o Parque Moscoso nasceu com a proposta de ser um espaço de passeio contemplativo, com alamedas floridas e arquitetura inspirada nos grandes jardins urbanos do mundo. Quatro décadas depois, o local ganhou um novo papel na vida cultural de Vitória: a Concha Acústica, um anfiteatro modernista que transformou o parque em palco de espetáculos populares e manifestações culturais ao ar livre.

Construída em 1953, a Concha rompeu com o estilo ornamental do parque e introduziu uma linguagem arquitetônica funcional, com formas curvas em concreto aparente. O espaço foi pensado para reunir pessoas, amplificar som e democratizar o acesso à cultura, recebendo ao longo das décadas apresentações musicais, festivais, peças teatrais, circos e eventos cívicos.

Projetada pelo arquiteto modernista Francisco de Paula Lemos Bolonha, a Concha integra o mesmo conjunto arquitetônico do Jardim de Infância Ernestina Pessoa, ambos concebidos dentro de um projeto de modernização urbana da capital capixaba. A intervenção marcou uma virada no uso do Parque Moscoso, que deixou de ser apenas contemplativo para se tornar também um espaço de convivência, espetáculo e ocupação cultural.

A Concha Acústica do Parque Moscoso é hoje a mais antiga em funcionamento contínuo no Brasil e a única tombada como patrimônio histórico em atividade no país. Estruturas semelhantes, como a concha do Estádio do Pacaembu, em São Paulo, foram demolidas ao longo do tempo, o que reforça o valor histórico e simbólico do equipamento cultural capixaba.

Além do valor arquitetônico, a concha se consolidou como palco de momentos marcantes da cultura local, revelando artistas, abrigando festivais regionais e fortalecendo a identidade cultural da cidade. O espaço também se tornou ponto de encontro de famílias, artistas e moradores do Centro de Vitória, mantendo viva a vocação pública do parque mais antigo da capital.

Desde 1986, a Concha Acústica e o Jardim de Infância Ernestina Pessoa são tombados pelo Conselho Estadual de Cultura, garantindo proteção legal ao conjunto arquitetônico e ao seu valor histórico. O tombamento reconhece não apenas a estrutura física, mas o papel simbólico do espaço como marco da democratização cultural em Vitória.

A preservação da Concha Acústica representa a manutenção de um patrimônio vivo: um equipamento urbano que segue em uso, dialogando com novas gerações e reafirmando o papel do espaço público como lugar de cultura, encontro e memória.