Jovens aprendem restauração na prática enquanto ajudam a recuperar prédio histórico no Centro de Vitória

Jovens aprendem restauração na prática enquanto ajudam a recuperar prédio histórico no Centro de Vitória

Um dos prédios mais tradicionais do Centro Histórico de Vitória voltou a ganhar movimento e atenção após anos de abandono.

O antigo Arquivo Público Estadual, localizado na Cidade Alta, passou a servir como espaço de aprendizado para alunos do curso técnico gratuito de restauração promovido pela Escola Multidisciplinar Profissionalizante de Artes e Ofícios (EMPAO).

Ao todo, 40 jovens participam das atividades práticas dentro da edificação centenária, em uma iniciativa que une formação profissional, preservação histórica e revitalização do patrimônio cultural capixaba.

O imóvel, que durante muitos anos ficou fechado e deteriorado, agora se tornou um verdadeiro laboratório de técnicas de restauro. Durante as aulas, os estudantes já identificaram diferentes camadas de pintura aplicadas ao longo do tempo e conseguiram localizar a tonalidade original da construção, semelhante ao amarelo presente em prédios históricos do Espírito Santo, como o Palácio Anchieta.

As atividades também revelaram detalhes estruturais antigos utilizados nas construções da época, incluindo paredes compostas por tijolos e pedras, técnica que aumentava a resistência da edificação e que hoje chama atenção pelo valor histórico e arquitetônico.

Além do aprendizado técnico, o projeto desperta nos estudantes uma conexão direta com a memória urbana da capital. Elementos como escadas trabalhadas em madeira, acabamentos artesanais e detalhes da construção ajudam a mostrar como funcionavam as técnicas construtivas de décadas atrás, muitas delas praticamente inexistentes atualmente.

A proposta da iniciativa vai além da formação profissional. O trabalho desenvolvido dentro do prédio busca preservar não apenas a estrutura física do imóvel, mas também a história e a identidade cultural do Espírito Santo.

O antigo Arquivo Público Estadual fica em uma das áreas mais simbólicas do Centro de Vitória, próximo ao Palácio Anchieta e ao Fórum da capital.

O prédio foi desocupado em 2008, após a transferência do acervo para uma nova sede, permanecendo fechado e sem utilização ao longo dos anos.

Agora, através da parceria entre o Instituto Goia e a Secretaria de Estado da Cultura (Secult), o espaço começa a viver uma nova fase. A expectativa é que, após o período de oficinas, os próprios alunos participem do processo de restauração da fachada do imóvel por meio de estágio remunerado.

O projeto também chama atenção por oferecer aos jovens uma oportunidade concreta de qualificação em uma área especializada e pouco explorada no mercado, ao mesmo tempo em que contribui para a preservação dos patrimônios históricos da capital capixaba.

Mais do que recuperar um prédio antigo, a iniciativa transforma o espaço em um símbolo de educação, valorização cultural e reconstrução da memória histórica de Vitória.

Foto de Capa: Vitor Jubini/Rede Gazeta